Quem somos nós?

Somos um grupo de alunas do Curso de Especialização Gestão de Políticas Públicas em Gênero e Raça (GPPGR), na modalidade à distância, promovido pela Universidade Federal do Espírito Santo em parceria com o MEC. Criamos esse blog com o objetivo de fomentar as discussões no campo das Políticas de Ações Afirmativas e assim contribuir no processo de elaboração, aplicação, monitoramento e avaliação de projetos e ações que visam a transversalidade e a intersetorialidade de gênero e raça/etnia nas Políticas Públicas. Nosso tema é Igualdade de gênero, raça/etnia na educação formal com o sub tema:- Família, hierarquias e a interface público/privado. Integrantes do grupo: Ana Paula Ferreira, Marcia Roziane Zuma e Nilza Nimer Gonçalves.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Igualdade de Gênero e Desenvolvimento: uma via de mão dupla?


Todo ano, o Banco Mundial publica um Relatório Sobre o Desenvolvimento Mundial. Pela primeira vez, em 2012 o foco desse relatório é igualdade de gênero e desenvolvimento. Nele, o Banco reconhece uma realidade com a qual a ONU Mulheres já vem trabalhando há tempos: igualdade de gênero é premissa fundamental e ferramenta de desenvolvimento. Nas últimas décadas, as mulheres avançaram muito na escolaridade, ultrapassando os homens em alguns países; sua expectativa de vida cresceu e sua participação na força de trabalho remunerada explodiu. Atualmente, as mulheres representam 40% da força de trabalho global. No Brasil, sua participação cresceu 22% nos últimos trinta anos, em grande parte devido à sua melhor educação.
O Banco Mundial ressalta que, no mundo todo, o desenvolvimento auxilia na promoção da igualdade de gênero, mas não é suficiente para obter igualdade. O aumento da escolaridade das mulheres se relaciona com crescimento econômico, e a partir das demandas do mercado de trabalho, as mulheres são estimuladas a aumentar seu nível educacional. Como resultado, passam a receber salários maiores. Mas, apesar dos avanços, a maioria das mulheres segue confinada em setores periféricos da economia e em posições mal remuneradas. E continuam a receber salários menores em comparação com homens na mesma posição.
No mundo todo, 35 milhões de meninas ainda estão impedidas de freqüentar a escola; as mulheres recebem oitenta centavos por dólar pago aos homens, em média; e meio bilhão de mulheres sofre violência por parte de homens do seu círculo social. Por outro lado, enquanto no mundo todo as mulheres estão mais escolarizadas e participam mais na força de trabalho remunerada, elas ainda estão fora dos espaços de decisão. Já sabemos que quando há mais mulheres nesses lugares, as políticas de inclusão e crescimento são direcionadas mais equitativamente para as mulheres, especialmente chefes de família. De acordo com o Banco Mundial, menos de 20% dos parlamentares no mundo são mulheres, não havendo distinção entre países desenvolvidos ou em desenvolvimento. No Brasil, somente 11,8% dos parlamentares são mulheres. Essas desigualdades não são apenas injustas, mas também encerram um dado econômico. Ao não investir na igualdade para as mulheres, os estados estão desperdiçando os talentos de metade da população e perdendo a chance de aumentar o crescimento econômico.
Talvez a contribuição mais importante desse Relatório seja a confirmação, com dados e evidências, daquilo que os economistas propuseram há algum tempo: que a igualdade de gênero não é apenas uma questão de justiça social, mas tem também efeitos econômicos positivos. Com base em dados de vários países, a conclusão é que a simples eliminação de barreiras discriminatórias contra as mulheres em certos setores e ocupações pode levar, por si só, a um aumento de 25% na produtividade, sem necessidade de qualquer novo investimento.
A ONU Mulheres trabalha pela eliminação das desigualdades de gênero como essencial para o desenvolvimento. No Brasil, estamos realizando um estudo que ajudará a estimar o impacto da produção feminina no crescimento do PIB brasileiro. Esperamos, com isto, ampliar o espaço para discussão sobre o efeito multiplicador que a igualdade de gênero produz em termos de promoção do desenvolvimento em que todos ganham, o país gera mais riqueza e essa riqueza é melhor distribuída, levando a um desenvolvimento inclusivo e sustentável.
O Banco Mundial reconhece um padrão de mão dupla nos efeitos da igualdade de gênero sobre o desenvolvimento, no qual a igualdade de gênero contribui para o desenvolvimento econômico e vice-versa. O ritmo extraordinariamente rápido das mudanças nas normas sociais está associado com os retornos econômicos para as mulheres da escolarização e da sua entrada na força de trabalho. Ainda que se confirme uma correlação positiva, fatores causais precisam ser mais bem compreendidos. Uma teoria indica que, com o desenvolvimento, as instituições se fortalecem, o que, por sua vez, promove o acesso das mulheres e meninas aos direitos e oportunidades. No entanto, apesar das várias análises multifatoriais disponíveis, ainda são necessários dados mais abrangentes.
Na ONU Mulheres, já constatamos, e o relatório do Banco Mundial o confirma, que o desenvolvimento econômico não é suficiente para se chegar à igualdade de gênero plena.  Esta requer diretrizes específicas, e é por isto que muitos governos estabeleceram políticas de incentivo à candidatura de mulheres aos cargos executivos e à destinação de benefícios para a redução da pobreza diretamente às mulheres, pois está provado que assim eles são diretamente repassados às suas famílias. Os programas governamentais são mais eficazes quando visam às mulheres, o que prova que a igualdade não é apenas uma questão de justiça, mas também uma política de desenvolvimento inteligente.

Rebecca Tavares
Diretora, ONU Mulheres, Brasil e Cone Sul
 Fonte: http://www.unifem.org.br/003/00301009.asp?ttCD_CHAVE=160918 - Acesso em 30/03/2012.

Referências estudadas no Módulo IV


ESTADO E SOCIEDADE

FERREIRINHA, Isabella Maria Nunes  and  RAITZ, Tânia Regina. As relações de poder em Michel Foucault: reflexões teóricas. Rev. Adm. Pública [online]. 2010, vol.44, n.2, pp. 367-383.
PINHO, José Antonio Gomes de. Investigando portais de governo eletrônico de estados no Brasil: muita tecnologia, pouca democracia. Rev. Adm. Pública [online]. 2008, vol.42, n.3, pp. 471-493.
FOUCAULT, Michel. Em defesa da sociedade. São Paulo: Martins Fontes, 1999. 382 p.
   
ESTADO SOCIEDADE E CIDADANIA 

DUARTE, Newton. Limites e contradições da cidadania na sociedade capitalista. Pro-Posições[online]. 2010, vol.21, n.1, pp. 75-87.
OLIVEIRA, Ana Maria Caldeira  and  DALLARI, Sueli Gandolfi. Vigilância sanitária, participação social e cidadania. Saude soc. [online]. 2011, vol.20, n.3, pp. 617-624
PINHEIRO, Roseni. Apresentação - democracia e saúde: sociedade civil, cidadania e cultura política. Physis [online]. 2004, vol.14, n.1, pp. 11-14
ROCHA, Marisa Perrone Campos. A questão cidadania na sociedade da informação. Ci. Inf.[online]. 2000, vol.29, n.1, pp. 40-45.
SCHERER-WARREN, Ilse. Os argonautas da cidadania: a sociedade civil na globalização. Rev. bras. Ci. Soc. [online]. 2002, vol.17, n.48, pp. 205-209.
GALLO, Sílvio  and  ASPIS, Renata Lima. Ensino de filosofia e cidadania nas ''sociedades de controle'': resistência e linhas de fuga. Pro-Posições [online]. 2010, vol.21, n.1, pp. 89-105. 
PEREIRA, Graziela Raupp  and  BAHIA, Alexandre Gustavo Melo Franco. Direito fundamental à educação, diversidade e homofobia na escola: desafios à construção de um ambiente de aprendizado livre, plural e democrático. Educ. rev. [online]. 2011, n.39, pp. 51-71
VIEIRA, Camila Mugnai  and  BARROS, Mari Nilza Ferrari de. Cidadania: entre o compromisso e a indiferença: desvendando as representações sociais de universitários. Psicol. estud.[online]. 2008, vol.13, n.3, pp. 513-522
Barros, M. N. F. de, (2001). Cidadania, Alteridade e exclusão social. [Palestra]. Trabalho apresentado no II Ciclo de Estudos sobre Atualizações no Behaviorismo Radical, Londrina, Paraná 
abiochamon.blogspot.com/.../aula-14-o-direito-como-instrumento-d...

Sítios pesquisados:  
 
jus.com.br/revista/texto/4613/estado-democratico-de-direito-social

domingo, 11 de dezembro de 2011

Proposta de Plano de ação no município de Aracruz

Título: Coleta do quesito cor, através da autoclassificação, entre as mulheres que usam os serviços da unidade de saúde do município de Aracruz 

Objetivo Geral da ação: 
A escassez de informações epidemiológicas abordando a cor ou raça é um fato conhecido e que dificulta a criação de políticas públicas voltadas para a promoção da equidade e diminuição do preconceito relacionado a questões de raça e etnia.
Assim como a informação sobre sexo e idade, é importante na hora do diagnóstico, a identificação por cor ou raça/etnia é fundamental para a compreensão do processo de adoecimento e das causas de morte a que estão submetidos os grupos populacionais, pois eles são acometidos diferentemente pelas doenças.
O objetivo principal dessa ação é para melhorar a qualidade dos serviços de saúde, elaborar políticas públicas direcionadas e identificar as doenças e agravos predominantes nos diferentes grupos que compõem a nossa sociedade.  

Justificativa:
O Plano Nacional de Saúde estabelece como diretriz a “inclusão do quesito raça/cor entre as informações essenciais dos atendimentos realizados no SUS e na rede suplementar de serviços, e determina a utilização da raça/cor como categoria analítica dos perfis de morbimortalidade, de carga de doença e de condições ambientais”.
A 12ª Conferência Nacional de Saúde traz uma diretriz relacionada à Informação e Informática: “Divulgar informações e implantar banco de dados epidemiológicos e estatísticos socioeconômicos por etnia, tais como moradia, condições de vida e saúde, com identificação do número de pessoas atingidas pelas patologias, utilizando o índice de desenvolvimento humano (IDH) desagregado por sexo e cor e os índices de exclusão social como parâmetros para monitorar as doenças prevalentes entre as populações negras e indígenas”.
Segundo dados do PNUD, podemos agrupar em categorias algumas doenças prevalentes na população negra:
― geneticamente determinadas (anemia falciforme);
― adquiridas em condições desfavoráveis (desnutrição, doenças do trabalho,
DST/HIV/AIDS, abortos sépticos, tuberculose);
― de evolução agravada ou tratamento dificultado (hipertensão arterial, diabetes mellitus, coronariopatia, insuficiência renal crônica, câncer, miomatoses).
Conhecendo a situação de saúde da população, pode-se estabelecer metas e estratégicas para melhoria dos problemas de saúde.
Além disso, a informação “cor ou raça/etnia” possibilita ao Sistema Único de Saúde (SUS) cumprir um de seus princípios fundamentais que é a EQUIDADE, ou seja, o compromisso de oferecer a todos cidadãos e cidadãs um tratamento igualitário e, ao mesmo tempo, atender às necessidades que cada situação apresenta. É um dado que pode orientar o tratamento das populações específicas.

Descrição da ação:
As ações se darão da seguinte forma:
1)      Distribuir folhetos explicativos aos usuários(as), enquanto permanecem na sala ou fila de espera;
2)      Naturalizar a pergunta “qual é a sua cor ou raça/etnia?”, ou seja, integrá-la ao conjunto de informações (nome, idade, sexo etc....) de forma natural;
3)      Dialogar com cada usuário (a) e orientar como se autoclassificar, quando não souber;
4)      Explicar aos usuários (as) de saúde que perguntar a cor ou raça/etnia é uma forma de conhecer melhor o perfil dos (as) pacientes para melhor atendê-los (as) e para prevenir doenças e
5)      Solicitar apoio e orientações à chefia e à supervisão sempre que for necessário.

Cronograma  
Ação
Período

Planejamento das ações

Dezembro de 2011

Estimular o comprometimento institucional


Janeiro de 2012

Capacitação dos profissionais das unidades de saúde

Fevereiro e março de 2012

Sensibilização dos usuários (as)

Abril de 2012

Coleta  dos dados entre os usuários (as)


Maio e Junho  de 2012

Análise dos dados coletados

Agosto e setembro  de 2012
Formulação de propostas de políticas públicas direcionadas para as mulheres negras do município de Aracruz.

Outubro de 2012
Monitoramento e avaliação
Ação contínua

População beneficiada
Mulheres que se autodeclararam negras e que são atendidas nas unidades de saúde do Município de Aracruz.  

Referências Bibliográficas

Promovendo a equidade na atenção à saúde (folheto informativo)
Disponível em: http://www.combateaoracismoinstitucional.com/images/padf/
equidade_saude.pdf

Declaração sobre a raça e os preconceitos raciais.

Curso GPPGR -  Módulo 3 – Políticas públicas e raça
Acesso em 22 de novembro  de 2011.

BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE (MS). O SUS de A a Z: garantindo saúde nos municípios. Brasília: Ministério da Saúde / Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde, 2005.

CASHMORE, Ellis. Dicionário de Relações Étnicas e Raciais. São Paulo: Summus, 2000.

LOPES, Fernanda. Vamos fazer um teste: qual é a sua cor? A importância do Quesito Cor na saúde. Suplemento 6 do Boletim Epidemiológico Paulista – Saúde da População Negra no Estado de São Paulo, volume 3, dezembro de 2006.

OSÓRIO, Rafael Guerreiro. O Sistema Classificatório se “Cor ou Raça” do IBGE (Texto para Discussão n. 996). Brasília: Ipea, novembro de 2003.

WEDDERBURN, Carlos Moore. Do marco histórico das políticas de ações afirmativas – perspectivas e considerações. In: SANTOS, Sales Augusto dos (org.). Ações afirmativas e combate ao racismo nas Américas. Brasília: MEC/SECAD, 2005.

Um breve resumo das Unidades 1 e 2 do Módulo 3 - Políticas Públicas e Raça


 Módulo 3 - Políticas Públicas e Raça
Unidade 1 – A construção histórica da ideia de raça
Unidade 2 - O percurso do conceito de raça no campo de relações raciais no Brasil

Os principais conceitos apresentados na unidade 1, foram o do etnocentrismo, que são as manifestações agressivas de uma etnia em detrimento de outra, que ocorrem de maneira explícita como o caso da organização Ku Klux Klan, surgida em 1865 no sul dos Estados Unidos, onde seus integrantes vestiam-se de branco, montavam cavalos e perseguiam ex-escravos libertos na Guerra de Secessão.
Foi estudado o conceito de racialismo, trata-se de uma filosofia social que propõe o respeito a todas as raças, muito confundido com o termo racismo, o racialismo prega que todas as raças são diferentes entre si e que essas diferenças devem ser mantidas. O racialismo não defende a superioridade de uma raça sobre a outra.
Outro conceito importante é o de individualismo noção consolidada no século XVIII que exprime a afirmação do indivíduo perante a sociedade, o individualismo foi o fator fundamental das sociedades modernas.
Os textos tratam de uma questão histórica muito importante que é a do povo judeu, onde religião e raça são percebidas como unidade indivisível, a raça judaica. A partir do século XV os judeus passaram a ser discriminados não somente como grupo religioso divergente do cristianismo, mas também como uma raça. A casta deicida , o povo que matou Deus. Logo depois entre os séculos XV e XVI na Península Ibérica surge a promulgação do Estatuto da Pureza do Sangue, que promovia uma conversão forçada dos judeus ao cristianismo, no entanto o preconceito não cessou, pois eles passaram a ser considerados como os “novos cristãos” e não possuíam o sangue puro. Os estatutos da pureza do sangue foram mecanismos racistas.
O racismo praticado contra os judeus é chamado de antissemitismo  onde é introduzido o conceito de Determinismo Hereditário a idéia de que o sangue judeu poderia contaminar toda uma linhagem, esse pensamento logo depois foi adotado pelos Estados Unidos em outro contexto, era a “regra de uma gota de sangue” que servia para separar os brancos dos não-brancos por meio da linhagem e não da aparência. A presença de um ancestral negro ou indígena classificava o indivíduo como cidadão de segunda classe.
Com a descoberta do território americano, o conceito bíblico de monogenismo a descendência única da humanidade através de Adão caiu em desuso, esse fato causou um importante debate eclesiástico sobre a natureza humana ou não dos indígenas.
A escravidão e as relações de exploração entre os senhores  e os escravos, encontrou justificação no direito de conquista, a escravização dos vencidos pelos vencedores, houve a legitimação  escravizar pessoas fora de seu grupo religioso por meio das guerras contra os Bárbaros ou Infiéis. Então, do ponto de vista social, nas Américas, os mestiços e mulatos se tornaram uma camada subordinada pelo critério de pureza no sangue e em cada país ela ocorreu de maneira distinta.
O Darwinismo Social surgiu na segunda metade do século XIX, criado por Herbert Spencer que defendia a idéia de que o progresso humano tem como base a hierarquia racial sem misturas. Uma teoria aliada ao Darwinismo Social, é a Eugenia, conceito criado por Francis Galton que objetivava o controle da reprodução, o melhoramento das gerações.
No entanto, a antropologia a partir do final do século XIX, acabou questionando o legado da antropologia racista, passou a defender que um elemento cultural só faria sentido tendo em vista a totalidade na qual ele era parte. Franz Boas em suas pesquisas com imigrantes europeus nos Estados Unidos, provou por intermédio de instrumentos craniométricos, que as diferenças raciais entre grupos humanos não eram suficientes para comprovar diferenças morais de habilidades e comportamentos. Com isso ele defendeu a ausência de determinismo racial nas capacidades morais e intelectuais humanas. Sendo assim, o termo etnia é o que engloba as características sociais, culturais, lingüísticas e genéticas e que por sua vez é empregada no lugar do conceito de raça. A etnia é é comprovada através do método etnográfico, que trata-se de uma pesquisa que pressupõe interação prolongada entre pesquisador e pesquisado no universo do sujeito.

O texto 4 definiu racismo como um conjunto de ações, idéias, doutrinas e pensamentos que estabelece, justifica e legitima a dominação de um grupo racial sobre outro, pautado numa suposta superioridade do grupo dominador em relação aos dominados.
A abolição da escravidão, fato histórico na história do Brasil,  colocou a população negra em uma situação de igualdade política e civil em relação aos demais cidadãos. Contudo, como a literatura tem constantemente reafirmado, as possibilidades de inclusão socioeconômica dessa população eram extremamente limitadas, pois conforme o texto 1, quando a Princesa Isabel assinou a Lei Áurea, as bases econômicas que sustentavam a instituição escravidão já estavam relativamente deterioradas. Medidas anteriores ao fim da escravidão haviam colocado a população livre e pobre em uma situação de completa exclusão em termos de acesso a terra. Por sua vez, o acesso à instrução também não fora garantido por políticas públicas, não sendo sequer acolhido como objetivo ou garantia de direitos na Constituição Republicana de 1891. No mercado de trabalho, a entrada massiva de imigrantes europeus deslocava a população negra livre para colocações subalternas.
Esse processo foi marcado tanto por uma ausência de políticas públicas em favor dos ex-escravos e à população negra livre, como pela implementação de iniciativas que contribuíram para que o horizonte de integração dos ex-escravos ficasse restrito às posições subalternas da sociedade. Cabe lembrar que tal processo encontrava-se largamente amparado, como já indicado anteriormente, pela leitura predominante da questão racial no Brasil, segundo a qual, a questão do negro se referia não apenas à sua substituição como mão-de-obra nos setores dinâmicos da economia, mas à sua própria diluição como grupo racial no contexto.
Sendo assim, a solução encontrada no Brasil para a questão racial foi o “embranquecimento”, ou seja, a chegada de imigrantes europeus/eias no país, com a ascendência desejada, e isto era visto como uma forma de depuração para salvar o País que até então era constituído por uma maioria negra, indígena e mestiça. Para que isso fosse possível, era necessário olhar a miscigenação invertendo o sinal negativo que lhe era dado pelas teorias racistas, ou seja, o produto da mistura de grupos raciais distintos deixaria de ser degenerescente.
Os movimentos sociais redefinem e reutilizam conceitos na medida em que redimensionam a questão social e racial e assumem uma perspectiva política e educacional. A articulação entre educação e ciências sociais, muitas vezes, leva os educadores a utilizar termos e expressões descuidadamente ou a adotarem a terminologia tão complexa, sem muita reflexão teórica sobre o assunto.
O movimento de mulheres negras defende que a dimensão racial precisa ser considera­da em todos os campos da atividade humana para que seja feita justiça ao sistema de desvantagens que o racismo historicamente impôs às suas vítimas. [...] se ao idealizar, elaborar e implementar qualquer política pública não se levar em conta onde vive, como vive a população negra – suas respectivas singularidades de materialidade de vida e suas demandas por cidadania plena, no contexto da herança deletéria dos séculos de escravi­dão, por uma questão de honestidade intelectual e política, é forçoso que se reconheça que se abriu mão de compreender a população negra como parte expressiva do povo brasileiro. (Oliveira, 2008: 4).
Diante da leitura dos textos dessa unidade, tivemos a oportunidade de assimilar conceitos e formular idéias a respeito de tema tão debatido e ao mesmo tempo difícil de se chegar à uma conclusão.

Um breve resumo das Unidades 3 e 4 do Módulo 3 - Políticas Públicas e Raça

 Módulo 3 - Políticas Públicas e Raça
Unidade 3 - Desigualdades raciais e realização socioeconômica uma análise das mudanças recentes e Unidade 4 - Movimento Negro e Movimento de Mulheres Negras uma Agenda Contra o Racismo

Dentro da análise das questões de gênero e raça tornou-se imprescindível falar da desigualdade existente no mercado de trabalho, onde negros e mulheres são tratados de forma discriminatória. Adentrando mais no estudo destas desigualdades observamos que há uma busca pelo respeito às diferenças, efetivada por muitos através de critérios de discriminação positiva, instituindo as chamadas de Ações Afirmativas que têm como objetivo alcançar uma sociedade racialmente consciente que dá às minorias discriminadas direitos a uma parcela proporcional de recursos e oportunidades. O que tentamos demonstrar ao longo deste estudo é que a única forma de promover a justiça é realmente diferenciando, ou seja, respeitando as diferenças de cada ser humano de forma irrestrita e assimétrica.

Os estudos sobre desigualdades envolvem diversas possibilidades analíticas e mobilizam diferentes tradições disciplinares para explicar suas origens, causas e efeitos e estão relacionados à temática do desenvolvimento econômico (pobreza e crescimento), da justiça social, do debate acerca das concepções de indivíduo, liberdade e igualdade.

Na perspectiva sociológica, a ênfase é dada na relação entre desigualdade e estratificação social, ou seja, na forma como se dá a distribuição desses bens e recursos e suas consequências.

No campo da filosofia política, as reflexões sobre desigualdade conduzem ao entendimento da relação entre liberdade e igualdade, à concepção do que vem a ser uma sociedade justa, bem como ao debate sobre quais desigualdades devem ser enfrentadas e quais desigualdades são simplesmente consequências de escolhas e realizações ou investimentos individuais.

Em relação à caracterização geral da força de trabalho, a População em Idade Ativa, composta pela população residente com faixa etária entre 10 e 64 anos, no ano de 2008, era de 143.560.622. Seu crescimento no período analisado (1999-2008) foi de 26,8%. A População Economicamente Ativa, composta pela parcela da PIA que está ocupada ou desempregada, era de 94.522.437 e cresceu 23,4%. A taxa de participação na PEA (PEA/PIA), no ano de 2008, era de 65,8%. Quanto ao desemprego, sua taxa era de 7,4% em 2008, apresentando uma tendência de queda.

Sobre a escolaridade, podemos observar que a média de anos de estudos da população ocupada, em 2008, era 8,5 anos crescendo 1,5 anos em dez anos, o que pode ser considerado/a um resultado insatisfatório.
Em segundo lugar, observa-se que as médias mais baixas estão entre os/as mais jovens (potencialmente em idade escolar) e os/as mais velhos/as (que estão saindo do mercado de trabalho). As faixas etárias 20- 24 anos e 24-29 anos apresentam uma média de anos de estudo superior (10,5% e 10,3%, respectivamente).

O ingresso de homens e mulheres negros/as no mercado de trabalho ocorre em situações de desvantagens, em relação ao grupo branco, devido às maiores possibilidades de sucesso educacional destes últimos. Além disso, os/as negros/as estão expostos à discriminação relacionados à sua cor/raça, impedindo o acesso às ocupações mais valorizadas, mesmo quando conseguem romper a barreira educacional, limitando suas possibilidades de ascensão social. Disto resulta uma concentração desproporcional de negros/as nas ocupações manuais, menos qualificadas e mais mal remuneradas, tais como prestação de serviços, emprego doméstico e construção civil (LIMA, 2001).
Quanto às desigualdades raciais, a população preta tende a apresentar a taxa de participação na PEA mais elevada, uma maior proporção de ocupados (ocupados/PIA), juntamente com a população branca, e maiores taxas de desemprego. No período analisado, a despeito do seu significativo decréscimo nos últimos cinco anos, as desigualdades raciais persistiram ao longo do tempo.
Desigualdade é, nesse sentido, fruto da combinação destes processos: os trabalhos, as ocupações e os papéis sociais na sociedade são combinados aos “pacotes de recompensa” que possuem valores desiguais (GRUSKY,1994).

A realização de um projeto democrático de implementação da cidadania no Brasil passa necessariamente por uma profunda reformulação cultural, que torne possível o aparecimento de um cidadão crítico em relação às políticas públicas, de uma mídia independente e informadora, do fim do clientelismo e fisiologismo como forma de se fazer política, ou seja, pelo surgimento daquilo que Paulo Freire chamava de vivência democrática. (17) 
Formalmente, o Brasil segue o que foi preceituado pela Declaração Universal de Direitos Humanos, de 1948, acolhendo em sua Carta Magna os princípios da dignidade da pessoa humana e da igualdade.

 É de extrema importância a análise destes princípios para que possamos encontrar soluções para a superação das desigualdades em nosso país, pois somente através do reconhecimento da igualdade é que se pode verificar a existência e as conseqüências da desigualdade, preservando assim a dignidade de cada cidadão brasileiro.
 
Unidade 4

O tema abordado nessa unidade é o dos movimentos negros e movimento de mulheres negras. Esses movimentos surgiram com o objetivo de resgatar a cultura negra, bem como, elemento de mobilização em prol de um bem comum, a qualidade de vida da população negra. Mesmo após a abolição da escravatura no Brasil em 1888 e em 1889 a proclamação da República, os negros não foram considerados cidadãos plenos do novo país que surgia. Diante de um quadro de discriminação racial e de oportunidades, os negros foram se articulando e criando movimentos que lhe assegurassem aquilo que o Estado negava e fortalecendo suas identidades enquanto indivíduos.

Simultaneamente aos movimentos que surgiam, os “jornais negros” que focavam assuntos que a imprensa elitista desprezava, denunciava o segregacionismo ao qual os negros estavam submetidos, como o fato de não poderem freqüentar certos lugares, como igrejas, clubes, hotéis, algumas escolas, etc.
Em 1931 o movimento negro ganhou mais força com a criação da Frente Negra Brasileira (FBN), essa entidade transformou-se em movimento de massa e atingiu um bom nível de organização expandindo-se para diversos estados brasileiros e propiciou aos seus associados serviços médicos e odontológicos, departamento jurídico e atividades culturais e educacionais.
Dentro dos movimentos negros é importante salientar que as mulheres tiveram participação ativa como professoras, ativistas culturais e realizando obras assistencialistas.
A fase do Movimento Negro pós- Estado Novo (1945-1964), foram bem mais difíceis, uma vez que, a mobilização apareceu sob diversas formas e coadunava com os movimentos internacionais antirracistas que lutavam pelo fim do nazismo e do fascismo. O holocausto era o exemplo máximo de que o sistema classificatório de raças precisava ser abolido.
No contexto brasileiro, um dos principais movimentos dessa época foi a União dos Homens de Cor (UHC), sua atuação foi marcada pela participação em campanhas eleitorais, pela prestação de serviços jurídicos, médicos e odontológicos e expandiu-se para diversos estados brasileiros. Outro grupo importante foi o do Teatro Experimental do Negro (TEN), a proposta era formar um grupo teatral apenas por atores negros, porém aos poucos seu foco foi se ampliando ao publicarem o jornal “O Quilombo”, ofereceu curso de alfabetização, de corte e costura, fundou o Instituto Nacional do Negro, o Museu do Negro, organizou o I Congresso do Negro Brasileiro, promoveu a eleição da Rainha da Mulata e da Boneca de Pixe e tempos depois através de um concurso de artes plásticas lançou o tema o Cristo Negro tendo grande repercussão na opinião pública.

O TEN foi pioneiro ao lançar no Brasil as bases que continham no movimento da negritude francesa, um movimento negro internacional e que possuía os alicerces ideológicos para a libertação dos países africanos. Com a implantação da ditadura militar brasileira em 1964 o movimento enfraqueceu.

O movimento das mulheres negras também tiveram um importante papel político social, esse engajamento surgiu para preencher algumas lacunas de outros movimentos, uma vez que, dentro do movimento feminista não se focava a discriminação racial e dentro do movimento negro não se sublinhava a questão do machismo. Dessa maneira, esses movimentos de mulheres negras surgiram com o objetivo de lutar e levantar discussões a respeito do que lhes faltava em outros movimentos. Assim, ao assinalarem o posicionamento de gênero no Movimento Negro, as mulheres deixaram explícito aos seus companheiros de luta que o racismo atingia de forma distinta homens e mulheres, pois as mulheres negras enfrentavam o machismo ainda que dentro do movimento anti-racismo.

Os principais conceitos apresentados nessa unidade 3, foram o do embranquecimento social, Black Power, UHC e Neomalthusianos,

Segundo o Autor, o embranquecimento social é uma prática social que contribui não apenas para encobrir o teor discriminatório nessa construção ideológica, mas também para abafar uma reação coletiva. Pode-se acrescentar que o embranquecimento social diz respeito sobretudo ao ingresso de um indivíduo não branco ao mundo das classes médias e altas, compostas majoritariamente por pessoas de cor branca.

Black Power foi um movimento liderado por negros/as que teve seu auge no final dos anos de 1960 e início dos anos de 1970, especialmente nos Estados Unidos. O movimento enfatizou o orgulho racial, incentivou a criação de instituições culturais, provocou políticos/as negros/as para a promoção dos interesses coletivos e da autonomia dos negros/as. A expressão “Black Power” foi criada pelo militante do movimento negro nos Estados Unidos, Stokely Carmichael, em uma frase que ficou célebre “Estamos gritando pela liberdade há seis anos. O que vamos começar a dizer agora é poder negro”.

UHC – União dos Homens de Cor, organização que tem início em 1943, se estabelece na década de 1960. A UHC buscava o reconhecimento da participação dos/as negros/as no projeto de nação brasileira. Uma de suas metas era inserir seus/as  representantes em cargos eletivos, além de atrair negros/as parlamentares estaduais ou municipais para a organização. Em alguns momentos a UHC organizava caravanas para doação de roupas, alimentos e medicação para os que necessitavam.

Neomalthusianos Segundo os neomalthusianos, quanto maior o número de habitantes de um país, menor a renda per capita e a disponibilidade de capital a ser distribuído pelos agentes econômicos. Eles afirmavam que a fome não era conseqüência da carência de alimentos e sim da má distribuição.
O autor propôs um controle moral da natalidade, principalmente para os pobres. As famílias carentes deveriam ser orientadas a não terem filhos, as pessoas deveriam casar-se mais velhas e procurar abstinência sexual.